segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O LOUCO


A experiência do imaginário dentro de uma realidade limitada da mente. Uma vida circunscrita aos padrões de sanidade, o que é ser normal?
Pergunta-se um louco a si em seus poucos momentos de lucidez.
Sabia somente que seus poucos momentos de irritação e fragilidade estavam dentro da lucidez provocada por drogas medicamentosas.
Preocupava-se muito consigo e com os conceitos alheios nestes momentos, tinha uma vaga consciência que nas suas viagens cerebrais não preocupava-se tanto com o mundo exterior, com os acontecimentos, era muito mais feliz.
Ao menos não recordava-se de estar irritado ou preocupado, simplesmente viajava em suas personagens, podia ser tudo, astronauta, buda, artista famoso, motorista de trem, uma ave, um tigre, um presidente, enfim, tudo sem restrições, sem impedimentos.
Podia ser feliz…

sábado, 27 de novembro de 2010


Sem palavras

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Órion


Olho as estrelas e separo o céu
Limito o universo em imagens formadas entre estrelas

Procuro o caçador de Órion
Identifico a estação
Naxos começa a esfriar

Quero tua face no ombro de Órion
Delineado nos ângulos estrelares

Como uma criança que busca entender as origens
O poder da criação, desvendar depois de tanto saber
Descobrir absolutamente nada sobre corpos celestes
Seu enigma, seu destino

Renascer e voltar a infância esquecida dos descobrimentos
Das perguntas sem respostas absolutas
Da vida sem explicação

E chego a balzaquia idade em um momento de contemplação
E entendo que ainda sou uma criança sem respostas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

TEMPO


Preciso somente de tempo
Saber quanto tempo leva
Descobrir que o tempo não pará

Um tempo para dar tempo ao tempo
Perder tempo e ver o tempo passar
Tempo para mudar e pensar no tempo que vivi

Tempo para pensar num futuro que pode nunca existir
Preciso escrever sobre as horas, os minutos de ti
O tempo a ti, o tempo em si

Não encontro tempo para parar
Ou não quero encontrar
Tenho medo de pensar

{Fortuna et Fortunae}

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Alucinação



Alucinação
Cura para a indócil sobrevivência em sociedade
Trajeto para guiar-se na normalidade dos gritos da multidão
Viver
Ser,  invólucro, matéria entre vozes pertubadoras
Sair descabido de bom senso
Entrar no louco padrão dos normais
Procurar o céu para explicar a imensidão de pensamentos
Encontrar no universos perguntas

Errar a todo momento nas ruas, olhar vitrines e admirar a falsa liberdade dos cães.
Aprisionamento do discurso pronto
Redução das possibilidades
Fantasia do não saber e do aprender a desconhecer as pessoas
Felicidade da inocência ou da ignorância pura